sábado, 15 de maio de 2010

A importância da narrativa mitológica para a compreensão do pensamento antigo sobre a origem de todas as coisas.

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por Elcio Rosa

Percepção é o ato de perceber através dos sentidos, é tomar consciência de que algo existe ou está ocorrendo. Existe a informação, a percepção da informação, a sensação e a emoção. Ao sentir ou perceber algo (informação) temos uma sensação. Sensação é a impressão que o sentir nos causa. Emoção é uma reação ao sentir. A pessoa sente algo e percebe que sentiu. Para entender o que percebeu, ela tem de dar uma explicação. Para explicar o que percebeu do que sentiu, ela compara com informações que tem na memória e, por semelhança, dá um “nome”, atribui uma forma. Forma é a explicação que damos àquilo que percebemos. Como identificamos se algo é doce, azedo ou amargo? Como podemos afirmar que a flor que estamos vendo é, por exemplo, uma rosa? Para saber o que é aquilo com que estamos entrando em contato, comparamos com registros e informações armazenados em nossa memória.

Assim como nós, o homem da antiguidade possuía essas faculdades, embora não tivesse consciência delas.

No instante em que o homem tomou consciência de sua existência, se deparou diante de um meio desconhecido e assustador. Ele vivenciava a informação, a percebia e sentia (sensação) medo (reação). Comparava com informações que tinha na memória, mas não encontrava nada semelhante. Por não conseguir entender o que acontecia em sua volta, sentia medo – o homem tem medo do desconhecido e só se sente seguro quando acredita conhecer o terreno em que pisa.

Para aquietar a sua mente, o homem da antiguidade necessitava de explicações que lhe permitissem conhecer o mundo que o rodeava. Explicações não lhe diminuiriam o medo, mas pelo menos ele passaria a entender o que estava acontecendo. Além disso, ele queria saber (entender) como tudo começou e o porquê de ele e os outros serem como eram.

A forma que encontrou foi “interpretar” o mundo. Sua razão, ainda embrionária, se contentava com quaisquer explicações, e a necessidade de que elas existissem, fez com que sua imaginação as criasse.

De maneira fantasiosa e transmitida oralmente, geralmente protagonizada por seres que encarnavam simbolicamente as forças da natureza e aspectos da conduta e comportamento humanos, e sob a forma de fábula, alegoria, lenda, surge o mito.

O mito foi fundamental para a formação do pensamento antigo. Além de explicar a origem das coisas, as lendas, contendo “histórias” de deuses e monstros, continham preceitos que favoreciam o convívio social.

Hoje, com a razão que dispomos, percebemos metáforas magníficas, muitas vezes de cunho moral profundo, contidas nas “historinhas” aparentemente bobas da mitologia, além de elas serem fonte de inspiração de artistas e poetas.

Do caos ao cosmos; da desordem da grande “explosão” à ordem da expansão... O desequilíbrio causando movimento... é a dinâmica do Todo para que o estado de ordem, de plenitude seja atingido.

Segundo Hesíodo, Caos (do lat. Chaos, do gr. cháos) é a primeira “divindade” a surgir no universo. Foi criada pelo mito dando início a explicação do cosmos – cosmogonia.

Um comentário:

Anônimo disse...

Prezado Elcio,

muito bom o texto, a análise é interessante.

Também é possível observar como os mitos, além de explicarem a psique do homem, também apontam para a formação e justificação das estruturas sociais.

Ricardo